quinta-feira, 14 de junho de 2012

O poder das lâmpadas fluorescentes

 Por José Soares 


 Classificado como um produto essencial, eficiente e econômico, porém causador de diversos e graves problemas e prejuízos
                                       

                       
As lâmpadas fluorescentes são consideradas ecológicas por economizarem energia e terem uma vida útil muito mais longa. Ainda que um pouco mais caras, os benefícios são sentidos inclusive no bolso. 

Muita gente utiliza esse tipo de lâmpada, mas não sabe o que fazer quando uma lâmpada fluorescente existente em sua casa perde sua vida útil. Na residência da costureira Sra. Efigênia Zeferina a adesão às lâmpadas fluorescentes foi total, mas quando uma delas queima o transtorno é enorme. “Não sabemos o que fazer quando uma delas estraga, às vezes juntamos os cacos, embrulhamos bem num jornal e depois colocamos no lixo”, diz a costureira, que apesar da dificuldade na hora de jogar fora o produto queimado, divulgou aos vizinhos a eficiência e economia geradas por ele. 

Não há dúvida de que a utilização da lâmpada fluorescente é uma ótima alternativa para economia de energia, só que falta informação por parte da população sobre o que fazer com este produto quando ele não tem mais utilidade. 

Gilberto Grosso - especialista em iluminação e diretor da Avant (empresa fabricante de lâmpadas) - ratifica os benefícios para quem utiliza tal produto, mas faz uma advertência: “as lâmpadas fluorescentes possuem uma substância tóxica perigosa à saúde humana e que pode contaminar o meio ambiente, podendo provocar sérias complicações quando descartado de forma inadequada”, enfatizou o especialista. 

Por não existir uma regra clara sobre a destinação correta desse produto, sua real eficiência acaba sendo questionada. “Apesar dos significativos avanços da política nacional de resíduos sólidos, ainda não há nada específico capaz de combater a problemática das lâmpadas fluorescentes sem utilidade” diz Gilberto Grosso. A ausência de uma política ambiental correta sobre esta questão aqui no Brasil evidencia o descaso dos governantes sobre uma questão bastante séria. 

Estados Unidos, Japão e alguns países da Europa, já adotaram precauções junto a seus governos sobre a questão do descarte das lâmpadas fluorescentes. Aqui no Brasil – país que ainda não adotou regras claras sobre o assunto – fala-se muita na logística reversa como uma das soluções para o problema. “O processo de logística reversa compreende-se como o retorno do produto – agora sem utilidade – para quem o fabricou, ou seja, ele faz o caminho inverso: uma vez queimado, sai da casa do consumidor para a empresa responsável por ter colocado o produto no mercado”, explica Grosso apontando este processo como boa opção para combater o problema de descarte incorreto das lâmpadas.

 Mesmo com a ausência de uma política ambiental quando o assunto é lâmpada fluorescente, alguns órgãos públicos e organizações em atividade em nosso país, já vem adotando o descarte ecologicamente correto através do trabalho de algumas empresas que coletam e reciclam este tipo de produto. É o caso da Naturalis Brasil que criou o “Papa Lâmpadas”. “Nosso trabalho consiste na coleta das lâmpadas que perdeu sua vida útil. Retiramos o produto sem vida útil em residências, empresas, associações, igrejas etc., em diversos lugares do Brasil, e fazemos todo o processo de reciclagem e descontaminação dele”, conta Giuliano Masi diretor da Naturalis. 

A retirada das lâmpadas fluorescentes queimadas além de cômodo e prático demonstra ser eficiente. “Não há necessidade de se preocupar. Queimou uma lâmpada, orientamos para armazená-la até que uma de nossas unidades móveis vá até o local para pegá-la e colocá-la na máquina papa lâmpadas que faz o processo de separação do vidro e do mercúrio (o grande vilão contaminador) levando tudo para reciclagem”, diz Giuliano relatando o processo. 

Com a atuação de empresas neste segmento que visa dar descarte coreto às lâmpadas sem utilidade, o ganho em qualidade de vida, apesar de não muito grande, é evidenciado. “Cerca de 10 milhões delas são descontinuadas anualmente, e tem seu resíduo levado para reciclagem, mas ainda é pouco se considerarmos que este número representa apenas 6% do produto comercializado em todo o país”, diz Mário Sebben, presidente da Apliquim Brasil, empresa que faz o mesmo trabalho de coleta das lâmpadas fluorescentes que não são mais utilizadas.

 Enfim, a eficiência das lâmpadas fluorescentes no que diz respeito à economia de energia é indiscutível.
 Mas, a falta de informação sobre o que fazer quando uma lâmpada queima ou perde sua vida útil é um claro e evidente problema, até muito mais exaltado do que os benefícios gerados por ela. Assim torna-se imprescindível uma maior atenção dos fabricantes e uma atuação firme por parte dos governantes sobre o produto em questão, para então ele ser de fato reconhecido como de alta qualidade e eficiência comprovada em toda sua cadeia (desde sua fabricação até seu descarte). 

Por isso fica o alerta para a população em geral para que procure sempre algum ponto de coleta de lâmpadas, e não descarte o produto – sem vida – no chamado lixo comum. Desta forma não colocamos a saúde das pessoas em risco e também ajudamos a preservar o meio ambiente.


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PROGRAMA MEIO AMBIENTE by Jose gomes

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