segunda-feira, 28 de maio de 2012

Guerra de Torcidas

por Adriano Degra 

Crédito: Divulgação
O futebol sempre foi sinônimo de alegria e descontração para grande parte da sociedade brasileira e na cidade de São Paulo não era diferente, os jogos de uma forma em geral e principalmente os clássicos, sempre foram programas interessantes para toda a família. Porém, a partir da década de 90, começou a surgir a violência dentro e fora dos estádios paulistanos; muito torcedores morreram e o que era diversão passou a ser uma verdadeira guerra campal.
 No ano de 1992, um torcedor corintiano foi atingido por uma bomba de fabricação caseira, o que originou o início dos debates sobre o tema e consequentemente iniciaram as primeiras pesquisas sobre o assunto. Com essa “onda” de violência as famílias começaram a ficar cada vez mais escassa nos estádios, muitos dos pais que sempre levavam seus filhos para assistirem aos jogos, começaram a ficar preocupados com a situação. “Sempre gostei de levar meu filho aos estádios, meu pai sempre me levou, e gostaria de fazer isso com o meu filho, mas não me sinto seguro” elucidou Yuri Hashimoto. Muitas pessoas creditam o aumento do índice de violência nos estádios à criação das torcidas organizadas.
 Para André Azevedo, presidente da torcida organizada são paulina Dragões da Real. “A violência está na sociedade e a torcida é uma parcela da dela”. Segundo o promotor Paulo Castilho, que cuida dessa questão das torcidas organizadas. “Não existe somente pessoas ruins nas torcidas organizadas, o caminho é muito mais além do que simplesmente bani-las dos estádios, pois os expulsos podem abrir outra torcida, o correto é criar ações de inteligência policial”.

Segundo o gráfico abaixo, a maioria dos integrantes das torcidas organizadas são jovens, que tem como característica buscar uma “afirmação” social. Para tentar trazer a família novamente aos estádios, foi criado em 2004, pela Federação Paulista de Futebol, o programa “Torcedor Família”, no qual permitia ao comprador de um ingresso de valor integral, levar gratuitamente uma acompanhante e até três filhos com idade entre cinco e 12 anos; sendo necessário portar os documentos solicitados para comprovar a ligação familiar.

 A quantidade de ingressos disponíveis para esse programa dependia da capacidade do estádio, mas em média girava em torno de 500 ingressos. Porém, o programa não durou por muito tempo, em 2010, acabou sendo extinto, sob o argumento de ter terminado a parceria entre os clubes, para que fosse reservado um espaço do estádio para o público do programa, além de informarem que começou a ter baixa procura de ingressos.

Algumas outras medidas são tomadas com o intuito de controlar a violência nos estádios, uma delas é a carteirinha do torcedor, que o governo federal tentou implantar nos últimos anos, com o intuito de cadastrar todos os torcedores presentes nos estádios, mas que parece será uma medida que não sairá do papel.
 A violência nos estádios de futebol na Cidade de São Paulo é um fato, faz parte da nossa sociedade e devemos dar a devida importância a esse assunto. Caso contrário, o entretenimento chamado futebol deixará de ser uma opção para a família e ficará disponível apenas para bardeneiros que se aproveitam da falta de legislação para ocupar esse espaço.

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